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30 de Abril de 2026
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Na Natureza nada se perde, nada se cria, tudo se transforma.
Antoine Lavoisier

 
Diz-me e eu esquecerei. Ensina-me e eu lembrar-me-ei. Envolve-me e eu aprenderei.
provérbio chinês

 
Quanto mais silêncio houver num livro, melhor ele é. Porque nos permite escrever o livro melhor, como leitor.
António Lobo Antunes

 

 
A melhor prova de que a navegação no tempo não é possível é o facto de ainda não termos sido invadidos por massas de turistas vindos do futuro.
Stephen Hawking

 
O que não consigo criar não consigo compreender.
Richard P. Feynman

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Poema do mês


Poema da Quinzena PDF Versão para impressão Enviar por E-mail
VARIAÇÃO SOBRE ROSAS

Como as rosas selvagens, que nascem
em qualquer canto, o amor também pode nascer
de onde menos esperamos. O seu campo
é infinito: alma e corpo. E, para além deles,
o mundo das sensações, onde se entra sem
bater à porta, como se esta porta estivesse
sempre aberta para quem quiser entrar.

Tu, que me ensinas o que é o
amor, colheste essas rosas selvagens: a sua
púrpura brilha no teu rosto. O seu perfume
corre-te pelo peito, derrama-se no estuário
do ventre, sobe até aos cabelos que se soltam
por entre a brisa dos murmúrios.
Roubo aos teus lábios as suas pétalas.

E se essas rosas não murcham, com
o tempo, é porque o amor as alimenta. 

Nuno Júdice

 

 
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A João Lúcio

A invasão das casas pela luz
Ocorre nas manhãs de Primavera
Entre os reflexos de verde matizado
E o cheiro a resina do pinhal.

Nunca construiremos
A moradia perfeita
O lugar de encontro dos pontos cardeais
Nunca encontraremos a dimensão exacta
Das ilhas, do lodo, dos canais
O palácio com estátuas de alabastro
E escadas de serpente
O Algarve impressionista
O céu, a cor e o poente. 

António José Ventura

 
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QUASE NADA  

O amor
é uma ave a tremer
nas mãos de uma criança.
Serve-se de palavras
por ignorar
que as manhãs mais limpas
não têm voz. 

Eugénio de Andrade

 

 

 

 
A biblioteca PDF Versão para impressão Enviar por E-mail
No corredor da Faculdade
de Ciências, espero pelo abrir
da porta. O lugar traz à memória
contos de Júlio Verne: o observatório
as estantes de vidro, as madeiras, os impressos
no placard verde escuro, o silêncio
entrecortado pelos passos no corredor
(biblioteca dos hexágonos de Borges)
- é biblioteca o que está escrito
na tabuleta à minha frente.
Em breve estarei entre as estantes
(a biblioteca não é escura)
sinto o cheiro das tintas e do papel.
Chega o funcionário e abre
a biblioteca.

António José Ventura,
A Cidade das Palavras,
1994

 
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