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24 de Junho de 2026
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Já que não podemos ler tantos livros quantos os que podemos ter, basta que tenhamos tantos quantos possamos ler.
Séneca

 
De todos os instrumentos do homem, o mais surpreendente é, sem dúvida nenhuma, o livro.
Jorge Luis Borges

 
O que não consigo criar não consigo compreender.
Richard P. Feynman

 
As pessoas, de início, não seguem causas dignas. Seguem líderes dignos que promovem causas dignas.
James Clerk Maxwell

 
Na Natureza nada se perde, nada se cria, tudo se transforma.
Antoine Lavoisier

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Poema do mês


Poema da Quinzena PDF Versão para impressão Enviar por E-mail
VARIAÇÃO SOBRE ROSAS

Como as rosas selvagens, que nascem
em qualquer canto, o amor também pode nascer
de onde menos esperamos. O seu campo
é infinito: alma e corpo. E, para além deles,
o mundo das sensações, onde se entra sem
bater à porta, como se esta porta estivesse
sempre aberta para quem quiser entrar.

Tu, que me ensinas o que é o
amor, colheste essas rosas selvagens: a sua
púrpura brilha no teu rosto. O seu perfume
corre-te pelo peito, derrama-se no estuário
do ventre, sobe até aos cabelos que se soltam
por entre a brisa dos murmúrios.
Roubo aos teus lábios as suas pétalas.

E se essas rosas não murcham, com
o tempo, é porque o amor as alimenta. 

Nuno Júdice

 

 
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A João Lúcio

A invasão das casas pela luz
Ocorre nas manhãs de Primavera
Entre os reflexos de verde matizado
E o cheiro a resina do pinhal.

Nunca construiremos
A moradia perfeita
O lugar de encontro dos pontos cardeais
Nunca encontraremos a dimensão exacta
Das ilhas, do lodo, dos canais
O palácio com estátuas de alabastro
E escadas de serpente
O Algarve impressionista
O céu, a cor e o poente. 

António José Ventura

 
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QUASE NADA  

O amor
é uma ave a tremer
nas mãos de uma criança.
Serve-se de palavras
por ignorar
que as manhãs mais limpas
não têm voz. 

Eugénio de Andrade

 

 

 

 
A biblioteca PDF Versão para impressão Enviar por E-mail
No corredor da Faculdade
de Ciências, espero pelo abrir
da porta. O lugar traz à memória
contos de Júlio Verne: o observatório
as estantes de vidro, as madeiras, os impressos
no placard verde escuro, o silêncio
entrecortado pelos passos no corredor
(biblioteca dos hexágonos de Borges)
- é biblioteca o que está escrito
na tabuleta à minha frente.
Em breve estarei entre as estantes
(a biblioteca não é escura)
sinto o cheiro das tintas e do papel.
Chega o funcionário e abre
a biblioteca.

António José Ventura,
A Cidade das Palavras,
1994

 
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