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José Saramago, prémio Nobel da Literatura em 1998, morreu hoje, dia 18 de Junho, na sua residência em Lanzarote, aos 87 anos de idade.

Não me Peçam Razões...
Não me peçam razões, que não as tenho, Ou darei quantas queiram: bem sabemos Que razões são palavras, todas nascem Da mansa hipocrisia que aprendemos.
Não me peçam razões por que se entenda A força de maré que me enche o peito, Este estar mal no mundo e nesta lei: Não fiz a lei e o mundo não aceito.
Não me peçam razões, ou que as desculpe, Deste modo de amar e destruir: Quando a noite é de mais é que amanhece A cor de primavera que há-de vir.
José Saramago, in "Os Poemas Possíveis"
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