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O LHC não se esgota no bosão de Higgs
Mas, e se não existir a partícula de Higgs? E se a explicação for outra? Se for este o caso, a consequência mais directa é cair a teoria das partículas elementares por terra, assim como a nossa visão acerca da constituição da matéria e os modelos padrão que a sustentam. Todavia, não seria a primeira vez que tal aconteceria na história do conhecimento humano, nem de certo a última. Acontece é que se, efectivamente, a explicação for outra o LHC estará também em condições de a encontrar. Pode-se, talvez, descobrir simetrias na natureza que ainda não foram reveladas ou dimensões suplementares do espaço-tempo, como previsto nalguns modelos que propõem explicações plausíveis das inconsistências nas teorias actuais. Por exemplo, o estudo da rotação das galáxias revelou que a maior parte da massa no universo não é constituída por aquilo que normalmente observamos no nosso planeta (átomos, núcleos), mas daquilo a que actualmente se chama “matéria escura”, embora não se saiba bem o que isso seja. Também para justificar a aceleração na expansão do universo introduziu-se, mais recentemente, o termo “energia escura”, fonte de uma espécie de anti-gravidade que repelirá as galáxias umas das outras. Sabemos que em conjunto, matéria e energia escura, representam 96% do universo, mas ignoramos o que sejam em concreto. O LHC vai certamente ajudar a compreender alguns destes mistérios que tocam em noções estruturantes, não apenas da Física, mas da forma como concebemos a realidade em geral, como sejam a natureza da matéria e do próprio espaço-tempo.
Sites a Consultar
Site Público do CERN
A Aventura das Partículas (site brasileiro muito didáctico).
A Formação das Galáxias
Fontes:
Revista Super Interessante, n.º 122 (Junho 2008);
Jornal de Letras, Out/2008;
Courrier Internacional, n.º 148 (Junho 2008).
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